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Defensoria pública de São Paulo processa Levy Fidelix por dizer que "nunca viu procriação entre pessoas do mesmo sexo"
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A Defensoria Pública de São Paulo ingressou nessa terça-feira, 7, com
uma ação civil pública por danos morais contra Levy Fidelix, candidato
derrotado do PRTB à Presidência, por causa de suas declarações sobre
homossexuais feitas durante debate entre presidenciáveis, em 28 de
setembro.
À Justiça de São Paulo, o órgão afirmou que as
falas incitaram o ódio contra a comunidade LGBT e pede indenização de R$
1 milhão. Para o Núcleo Especializado de Combate à Discriminação,
Racismo e Preconceito, autor da ação, a fala de Fidelix foi uma "clara
manifestação de ódio e desprezo" à comunidade LGBT.
No
debate entre presidenciáveis promovido pela TV Record, Fidelix foi
questionado pela então candidata Luciana Genro (PSOL) sobre a violência
contra homossexuais.
Com respostas irônicas e enfáticas, o candidato
disse que nunca viu procriação entre pessoas do mesmo sexo e que
preferia perder votos a apoiar homossexuais. "Vamos enfrentar essa
minoria, vamos ter coragem. Esses, que tem esses problemas, que sejam
atendidos por planos psicológicos e afetivos, mas bem longe da gente",
afirmou.
"Nitidamente (a fala do candidato) ultrapassou os
limites da liberdade de expressão, para incidir em absurdo discurso de
ódio", sustenta a ação, que destacou ainda o trecho da fala em que
Fidelix associa a homossexualidade à pedofilia.
"Este
discurso de ódio é incompatível com o respeito à dignidade da pessoa
humana, não só da pessoa, individualmente considerada, mas da dignidade
de uma coletividade", complementa o órgão.
No documento
encaminhado à Justiça, a Defensoria enumerou relatos de homossexuais que
se consideraram discriminados e agredidos pelas declarações do então
candidato e lembrou as manifestações de grupos de direitos homossexuais.
Após
a repercussão de sua participação no debate, Fidelix manteve seu
posicionamento e negou ter sido homofóbico. "Estou defendendo a
legitimidade de expressão", disse. Para a Defensoria, no entanto, a
garantia à liberdade de expressão deixa de ser assegurada quando há
violação de outros direitos também previstos na Constituição.
O
órgão entendeu ter havido dano moral pelo fato de as declarações
sugerirem o enfrentamento e a segregação da comunidade gay. "(...) As
afirmações de Levi Fidelix são ilícitos jurídicos, pois implicam em
atentados ao direito à honra da população LGBT, bem como ao direito de
não discriminação", afirma a ação.
Reparação
A
Defensoria pede indenização de R$ 1 milhão para reparação de dano moral
coletivo. O valor deverá ser revertido em ações de promoção dos
direitos da comunidade LGBT. Em razão da exposição das falas,
transmitidas ao vivo, e da repercussão causada, o órgão solicita ainda
que Fidelix produza um programa que promova os direitos da população
LGBT "com a mesma duração dos discursos" exibidos durante o debate e no
mesmo horário.
Procurado, o PRTB, também alvo da ação, não
se manifestou sobre a decisão até a publicação desta reportagem.
Fidelix, atual presidente da legenda, também foi procurado, mas não
atendeu às ligações.
Portal A Tarde
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