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Foto: Cristiana Dias/Folha de Pernambuco
Ricardo Dantas Barreto
Folha de Pernambuco
O
presidente da Assembleia Legislativa, Guilherme Uchoa (PDT), reagiu às
declarações do presidente da Ordem dos Advogados do Brasil, secção
Pernambuco, Pedro Henrique Reynaldo Alves, contrárias aos reajuste
salarial de 26,34% dos deputados estaduais. E que os parlamentares
embolsam mais que os R$ 20 mil que recebem por mês.
Segundo
Uchoa, o dirigente da OAB-PE não tem moral para fazer esse tipo de
insinuação. Ele apresentou à reportagem da Folha de PE uma cópia do
Relatório de Remuneração dos Servidores, na qual consta que Pedro
Henrique é procurador do Estado nível 4 e recebe 27 mil por mês.
Contudo, segundo o deputado, há dois anos o presidente da OAB-PE não
assina um parecer. Uchoa também refuta a intenção de Pedro Henrique de
entrar com uma ação na Justiça contra a sua candidatura à reeleição,
afirmando que será uma decisão que caberá aos próprios parlamentares.
Confira a íntegra da entrevista que Uchoa concedeu à Folha:
O
presidente da OAB-PE, Pedro Henrique Reynaldo Alves, criticou o aumento
de 26,34% que a Assembleia aprovou, com os salários dos deputados
passando de R$ 20 mil para R$ 25 mil. Qual sua reação?
Entendo
e imagino que o presidente da OAB esteve prestando algum tipo de
serviço ao Estado, na condição de procurador. Mas fiquei surpreso que
ele recebe R$ 27.071 por mês, com direito a ter um grande escritório de
advocacia particular. E não sobre tempo para justificar ao Estado o
salário que recebe. Em dezembro, ele recebeu cerca de 8 mil a mais que
um deputado. Um trabalhador passa 25 meses pra receber um salário de
deputado e 35 meses o de Pedro Henrique. Ele ganha muito mais que um
deputado.
Quer dizer que ele não trabalha?
Pelo
que eu saiba, nos últimos dois anos, não tem uma audiência em nome do
estado e nenhum parecer assinado por Pedro Henrique. Isso é justo? É
constitucional? É moral? É legal? Agora, Pedro Henrique é nível 4 na
procuradoria. A Assembleia fará um pedido ao governador para promovê-lo
pelos irrelevantes serviços prestados.
Como avalia as criticas do presidente da OAB à sua pré-candidatura à quarta reeleição de presidente da Alepe?
Não
tenho contra ele nada pessoal, apenas estou apresentando os documentos e
contra fatos não há argumentos. Não pedi parecer da OAB sobre a eleição
na Assembleia. O deputado Eriberto Medeiros foi quem solicitou à
Procuradoria da Assembleia um sobre a possibilidade dos atuais membros
da Mesa diretora poderem se candidatar ao mesmo cargo ou a outra vaga.
Se minha candidatura ocorrer, será construída dentro da Alepe. Não sou
candidato do PSB. PTB ou PDT. Sou candidato dos deputados.
Pedro Henrique também disse que os deputados não vivem apenas dos salários. Que há desvios de verbas de gabinete. Isso ocorre?
Não
conheço um deputado que cometa irregularidades, conforme Pedro Henrique
declarou à Imprensa. Espero que a OAB coloque suas receitas e despesas à
disposição da população. Considero todos os deputados íntegros,
honestos e competentes, até para me suceder, se for o caso. Em dezembro,
os deputados receberam salário bruto de 20 mil e trabalharam o mês
todo. Fizemos o que ele não fez para ganhar salário. Pedro Henrique tem
aumento todo ano e os deputados têm reajustes a cada quatro anos.
Na própria Assembleia há deputado que defende a alternância de poder e é contra o seu quinto mandato consecutivo.
Também
defendo a alternância, desde que apareça um candidato que reúna as
condições. Mas isso não será pautado pela OAB e nem por ninguém. Não
posso admitir que alguém insinue que há alguém nesta Casa que seja
desonesto. É preciso que Pedro Henrique aponte e não insinue.
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