Governador e prefeito fecham com “Tonca”

Coluna Fogo Cruzado – 10 de julho
Inaldo Sampaio

O advogado Antônio (“Tonca”) Campos acaba de colocar mais um tijolo no processo de consolidação de sua candidatura a prefeito de Olinda. Ele recebeu o apoio do governador Paulo Câmara e do prefeito Geraldo Júlio (Recife), além de partidos que ainda estão na base de apoio ao prefeito Renildo Calheiros. Não era projeto de vida do advogado, único irmão de Eduardo Campos, enveredar pela carreira política. Mas devido à morte trágica do irmão ele entendeu que alguém com o sangue dos “Arraes” e dos “Campos” deveria estar na vida pública. Olinda não foi escolhida por acaso, e sim por ser uma cidade ligada às artes, o que faz muito o seu perfil, e também por encontrar-se há 15 anos sob controle do PCdoB. O apoio do governador levará o PSB municipal, inevitavelmente, a entregar os cargos que ocupa na prefeitura E o apoio do prefeito do Recife implica a não recondução de Luciano Siqueira como vice da chapa em 2016.
O descasamento da aliança
Antônio Campos (PSB) pretende propor ao PCdoB uma campanha civilizada para a escolha do sucessor do prefeito Renildo Calheiros (Olinda). Da parte dele não haverá radicalização. Mas se os comunistas “esticarem a corda”, diante da importância que aquele espaço de poder tem para eles, o confronto será inevitável. Antes de decidir-se pela candidatura, entretanto, o advogado consultor sua genitora, Ana Arraes, que deu o “sinal verde” para que o filho entrasse na disputa.
Inversão – O prefeito Renildo Calheiros (PCdoB) pediu autorização à Câmara de Olinda para contrair um empréstimo de R$ 35 milhões no BNDES, dando como garantia o FPM. A matéria só não foi votada ontem porque os vereadores foram alertados para um detalhe: os recursos para a elaboração do projeto (12 milhões) são maiores que os destinados para obras (10 milhões).
Correção – A ministra Ana Arraes tirou uma semana de licença do TCU para submeter-se a uma microcirurgia plástica na manhã de hoje, no Hospital Esperança (correção de pálpebras).
Troca – A advogada e suplente de deputado Izabel Urquiza terá que sair do PMDB se quiser disputar novamente a prefeitura de Olinda porque o partido já foi prometido a Ricardo Costa.
Visão – O prefeito Júnior Matuto (PSB) lançou o programa “Boa Visão” no município de Paulista, que oferece exame de vista a todas as crianças de escolas públicas, mais os óculos.
De paz – Aldo Amaral, ex-dirigente do Prorural, nega que esteja saindo do órgão por divergências com o secretário Nilton Mota (Agricultura) e sim para ceder o cargo ao PDT. Ele assumirá a diretoria da Compesa encarregada de colocar água nas comunidades que moram perto (até 2 km) dos dois eixos da transposição do São Francisco.
Descarte – O deputado Odacy Amorim (PT) descarta a hipótese de ser vice de Fernando Filho (PSB) ou Adalberto Cavalcanti (PTB) na eleição de Petrolina. Ele próprio deseja se candidatar à sucessão do prefeito Júlio Lossio (PMDB) e o 1º partido que pretende procurar é o PTB, que já tem um candidato lançado: o próprio Adalberto.
Cansaço – Políticos do PSDB estadual fariam um grande favor aos seus eleitores se parassem de dizer que Aécio Neves não perdeu a eleição para Dilma Rousseff, e sim para uma “organização criminosa”, e que o PT praticou “estelionato eleitoral” nas últimas eleições. São frases que já foram ditas tantas vezes que os próprios tucanos não aguentam mais ouvi-las. Até porque não são convincentes e nada acrescentam ao partido.
Queda – Enquanto a crise política não cessar, a oposição continuará estudando qual o caminho mais fácil e viável para derrubar Dilma Rousseff. Pelo TCU é improvável porque eventual rejeição das contas dela (de 2014) ainda teria que passar pelo Congresso, o que é um caminho demorado. Já a cassação do diploma pelo TSE seria mais fácil, mas o vice Michel Temer também iria no “pacote” e isso não seria do agrado do PMDB.

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