Artigo - A travessia pelo mediterrâneo e o futuro de incertezas



Por Raiani Liberdade

Entre os assuntos mais repercutidos ultimamente está o drama enfrentado pelos refugiados, que em busca de segurança e melhores condições de vida veem-se obrigados a migrar para outros países que lhe ofereçam tais propósitos. Porém, engana-se quem pensa que essa questão tenha se rebelado só agora. O dilema encarado pelos mesmos era uma catástrofe já anunciada, e que veio tomando uma progressão ao tal ponto que virmos, hoje.
 
De acordo com os dados da ONU (Organização das Nações Unidas), só no ano passado foram 219 mil pessoas que arriscaram suas vidas tentando atravessar o Mediterrâneo para chegar à costa da Itália ou da Grécia. Nesse ano o número já ultrapassa os 300 mil com expectativa de mais imigrantes, vindos em sua maioria da Síria; país que atualmente encontra-se em Guerra Civil.

O desespero das pessoas tomou-se as águas do inconformismo, dada à dificuldade enfrenta pela realidade presente em seus respectivos países. Numa vã esperança de auxílio, quase sempre incerta é que partem numa viagem pelo mar Mediterrâneo em condições precária e perigosa. Estima-se que, neste ano cerca de 2,5 mil pessoas morreram vítima de afogamento, acarretadas por trafegarem em barcos clandestinos, superlotados e frágeis. Segundo o Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (Acnur), apenas no mês de abril foram registradas 1.308 mortes.

Aos que chegam com vida na Europa, logo de cara passam por uma nova travessia, só que agora por vias terrestres. A principal rota de destino dos imigrantes é a Alemanha. O país tinha a expectativa de abrigar cerca de 800 mil refugiados ainda este ano, mas devido ao grande fluxo de migrações o número estimado passou para 1 milhão. Para ter uma ideia da projeção, só nos primeiros oito dias de setembro, a Alemanha recebeu 37 mil pedidos de asilo, conforme afirma o vice-chanceler e ministro das finanças da Alemanha;  Sigmar Gabriel.


Vale salientar que nem todos os países aderiram à política da “boa vizinhança”, muitos dos quais alegam não ter estrutura para abrigar o grande fluxo de pessoas, outros, ainda, sentencia já ter sua capacidade esgotada. No entanto, acredito que, se todos os países envolvidos fizessem uma distribuição justa, e abrigasse um numero reduzido de refugidos, a situação não seria tão grave ao passo de conter o tráfego e o caos já instalado, o qual pode se tornar um presságio de tormentas ainda maiores.

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