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Foto: (Reprodução/Internet)
G1
As contas do
governo registraram déficit primário de R$ 124,4
bilhões em 2017, o equivalente a 1,9% do Produto Interno Bruto
(PIB), informou nesta segunda-feira (29) a Secretaria do Tesouro Nacional.
Isso significa
que as despesas do governo federal no ano passado superaram as receitas
(impostos e tributos) em R$ 124,4 bilhões. Chama-se de déficit primário porque
o valor não inclui os gastos do governo com juros da dívida pública.
Foi o quarto
ano seguido de rombo nas contas públicas e o segundo pior resultado da
história. Houve, entretanto, melhora frente ao déficit primário do ano passado,
que atingiu o recorde de R$ 161,27 bilhões (valor revisado), o equivalente a
2,6% do PIB.
No ano passado,
a meta fiscal do governo federal era de déficit de até R$ 159 bilhões. Ou seja,
o governo tinha permissão do Congresso para que as suas despesas superassem as
receitas em até R$ 159 bilhões.
Portanto,
apesar de alto, o rombo de R$ 124,2 bilhões nas contas públicas registrado em
2017 ficou abaixo da meta. As receitas totais subiram 1,6% em termos reais (após
o abatimento da inflação) no ano passado, para R$ 1,38 trilhão.
Já as despesas totais registraram queda real de 1% em
2017, na comparação com o ano anterior, para R$ 1,27 trilhão.
Receita extra e corte no investimento
Entretanto, o
governo só conseguiu esse resultado porque obteve receitas extraordinárias no
ano passado e reduziu fortemente os investimentos e os gastos públicos.
Receitas
Entre as
receitas extras estão os R$ 26 bilhões arrecadados no ano passado de
contribuintes que aderiram ao Refis, o programa de parcelamento de débitos
tributários; o processo de restituição de precatórios não sacados (cerca de R$
11 bilhões), além de receitas com concessões e privatizações, entre elas os R$ 12 bilhões vindos do leilão de hidrelétricas.
O governo
obteve ainda recursos extras com o aumento do imposto sobre combustíveis e foi
ajudado pela alta no preço do petróleo, que incrementou as receitas com
"royalties". O retorno do crescimento econômico, que impulsionou a arrecadação federal, também
contribuiu.
Corte
de gastos
Além de contar
com a alta da arrecadação, o governo também apertou o cinto e bloqueou parte dos gastos discricionários, ou seja,
aqueles passíveis de cortes.
Por conta
disso, alguns serviços públicos foram afetados, como a emissão de passaportes -
que chegou a ser paralisada -, além de recursos para as faculdades e para a
fiscalização do trabalho escravo.
>>>>> Os investimentos somaram R$ 45,69 bilhões em
2017, cerca de 0,7% do PIB, o que representa uma queda de R$ 19,11 bilhões em
relação ao patamar do ano anterior, quando totalizaram R$ 64,81 bilhões, ou
1,04% do PIB.
Segundo o
Tesouro Nacional, em percentual do PIB, significa que os investimentos em 2017
ficaram abaixo do patamar de 2006, ou seja, em mais de dez anos.
"Mesmo com
a ampliação da disponibilidade financeira no mês de dezembro de 2017, o valor
acumulado no ano foi 31,9% menor do que em 2016", informou o órgão.
Rombo
da Previdência
A Secretaria do
Tesouro Nacional também confirmou que o rombo da Previdência Social (sistema
público que atende aos trabalhadores do setor privado) avançou de R$ 149,73
bilhões em 2016 para R$ 182,45 bilhões em 2017, um aumento de 21,8%.
Juntamente com
o déficit dos Regimes Próprios dos Servidores Públicos (RPPS) da União, o rombo previdenciário atingiu a marca recorde de R$ 268,8 bilhões
em 2017. Os números já haviam sido divulgados na semana
passada pela Secretaria de Previdência.
Para 2018, a
expectativa do governo é de um novo crescimento no rombo do INSS. A previsão
que consta no orçamento já aprovado pelo Congresso Nacional é de um resultado
negativo de R$ 192,84 bilhões.
Por conta dos
seguidos déficits bilionários, o governo propôs ao Congresso uma reforma da
Previdência, que parou no Congresso em maio após o aparecimento das primeiras
denúncias envolvendo o presidente Michel Temer.
No fim do ano
passado, a equipe econômica retomou as discussões sobre a reforma da
Previdência e deu aval para uma proposta mais enxuta, sem alterações na
previdência dos trabalhadores rurais e nas regras do Benefício de Prestação
Continuada (BPC).
O governo tem
defendido que a proposta seja votada no Congresso em fevereiro.
Dividendos,
concessões e subsídios
Segundo o
governo, as receitas com concessões cresceram no ano passado, ao somarem R$
32,1 bilhões. Em 2016, foram de R$ 21,9 bilhões. O aumento foi de R$ 10,19
bilhões.
Ao mesmo tempo,
o governo recolheu mais com dividendos (parcelas do lucro) das empresas
estatais no ano passado. De acordo com o Tesouro Nacional, os dividendos
somaram R$ 5,51 bilhões em 2017, contra R$ 2,84 bilhões em 2016 e R$ 12 bilhões
em 2015.
No caso dos
subsídios e subvenções, houve queda no ano passado. Em 2017, somaram R$ 18,65
bilhões, contra R$ 23,32 bilhões em 2016. Ainda assim, estão acima da média
histórica de R$ 7,25 bilhões.
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