{OPINIÃO] Quem tem medo do Paulo Mau? Por Marcelo Velez

Foto: (Arquivo pessoal)

Marcelo Velez
Líder da Juventude em Camaragibe-PE


O PSB tem a maior bancada de deputados federais e estaduais em Pernambuco. Também possui a prefeitura da capital e o maior número de prefeitos. A hegemonia fundada em 2006 por Eduardo Campos, herdando o poderio de Miguel Arraes ainda continua sólida, mas dando sinais de esfacelamento. 

Diante do esforço de reeleger Paulo Câmara governador, a legenda está rifando espaços que, em tempos normais, seriam prego batido e ponta virada para os socialistas, como secretarias e vagas no Senado. A partir daí, é que a coisa vai ficando tenebrosa: o governo do estado passou a ser um guarda-chuva pequeno demais para tantos caciques e sofrerá com o atulhamento de Felipe Carreras, Tadeu Alencar, Danilo Cabral e João Campos no mesmo barco. 

Pior ainda, se Paulo Câmara for reeleito e João Campos ou Felipe Carreras não conseguirem entrar na Prefeitura do Recife, seriam três federais de peso, já que a vaga única de senador em 2022 iria naturalmente para o próprio Paulo. Este imbróglio todo faz deputados e prefeitos esvaziarem as trincheiras socialistas e ingressarem em outros partidos mais promissores, que possam eleger políticos de baixa densidade eleitoral.

O caldo do PP e do PSD, liderados aqui por, respectivamente, Eduardo Da Fonte e André de Paula, começa a engrossar. Com chapinhas para federal, estadual e sendo considerado um tsunami de votos, Da Fonte é um nome emblemático da política pernambucana e é cogitado para uma das vagas no senado governista.

Já André de Paula espera-se ter por volta de 160 mil votos e emplacar o senado em 2022, ampliando mais ainda as bancadas do PSD e o número de prefeituras. O esforço do Palácio será tanto este ano que estas siglas, antes incapazes de bater de frente com o poderoso PSB, tem pressionado por espaços e podem tornar-se dor de cabeça futuramente. 

A chiadeira dos aliados é grande, no sentido de socialistas históricos não terem seus pleitos atendidos em razão do benefício de outras legendas. A situação só não é pior porque grandes e influentes nomes, como Guilherme Uchôa, preferem a comodidade da zona de conforto a peitar quem ocupa o Executivo e se manter sempre em espaços de poder. 

A sensação, enfim, é a de que o PSB corre sérios riscos de deixar de ser a maior bancada do estado. Paulo Câmara pode até se reeleger, mas, dificilmente, o PSB será o mesmo em Pernambuco. Quanta falta faz Eduardo!

(Conteúdo enviado ao blog em 16 de Fevereiro de 2018)

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