[OPINIÃO] A crise dos combustíveis não será desculpa para prefeituras negligentes - Por Ismael Alves





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Vivemos na era da aparência. Nunca se prezou tanto pela "imagem", mesmo que ela não represente a realidade. É o que vimos em absolutamente tudo, inclusive na política. 

Há milhares de municípios brasileiros em que a realidade das estradas vicinais, por exemplo, não oferece o mínimo de condições para a escoação da produção agrícola, mas nas contas do Facebook dos seus respectivos  prefeitos, está cheio de fotos com máquinas trabalhando e com legendas dizendo que as estradas estão perfeitas.  Como nem todo mundo tem a oportunidade de conferir,  muita gente termina acreditando e absorvendo aquilo que é mostrado nas redes sociais. 

Outro fator que podemos usar como exemplo é a merenda escolar. Há escolas em que os alunos recebem bolacha ou nada, na maior parte do tempo, mas para alimentar o imaginário das pessoas, fotos de belos e coloridos pratos de merendas são publicadas uma ou duas vezes por ano, com o mero intuito de formar uma opinião fantasiosa na população. Isso também acontece nas áreas da saúde, segurança, social e etc...

Diante da atual crise instalada em decorrência da paralisação dos caminhoneiros, muitos municípios declararam estado de emergência devido a falta de combustível e seus efeitos. Obviamente, todos compreendem a situação atípica que munícipes e gestores estão tendo que enfrentar. Por outro lado, apesar dos apelos e decretos, todos sabem os verdadeiros efeitos que a escassez de combustível causou, como também, o momento exato que esses problemas tiveram origem.

Gestores que sempre permitiram que a população sofresse com falta de médicos e medicamentos, falta de condições de trabalho para funcionários públicos, superfaturamento nas compras municipais, o não repasse previdenciário e tantas outras mazelas administrativas, não pensem que a crise do momento vai servir como um "ponto de partida do zero".

Passando o momento mais complicado, engana-se quem estiver pensando que poderá utilizar a crise momentânea como justificativa para as falhas, deficiências e descompromissos de gestões midiáticas e marqueteiras, que não atendem a necessidade popular nem suas próprias expectativas  criadas e pulverizadas durante campanhas eleitorais. 

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